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Quase todos os ecossistemas de recifes de corais correm risco de colapso nos próximos 50 anos, alerta estudo

"Risco de colapso está aumentando, mas isso deve servir como um alerta, e não como motivo para desespero", disse cientista.
Quase todos os ecossistemas de recifes de corais correm risco de colapso nos próximos 50 anos, alerta estudo
Dois peixes-palhaço nadam em uma anêmona no recife Moore, em território marítimo do povo Gunggandji, na costa de Queensland, no leste da Austrália, em 13 de novembro de 2022 / Imagem: AP/Sam McNeil, Arquivo

*Por Michael Casey

Quase todos os ecossistemas de recifes de corais do mundo enfrentam um alto risco de colapso nos próximos 50 anos, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos e às ondas de calor, segundo uma avaliação global divulgada no dia 30 de outubro de 2026.

Esta é mais uma má notícia para os recifes de corais, que são fontes fundamentais de recursos pesqueiros e base para o turismo, além de frequentemente servirem como barreiras de proteção contra a erosão costeira e tempestades.

Por vezes chamados de “florestas tropicais do mar”, eles abrigam uma das biodiversidades mais ricas do planeta. Sustentam 1/4 das espécies marinhas, bem como comunidades costeiras e atividades econômicas.

Cerca de 96% dos sistemas de recifes em águas rasas já estão criticamente ameaçados e podem desaparecer até 2075, anunciou a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) durante uma conferência da ONU sobre biodiversidade, realizada na Albânia.

A maioria dos sistemas de recifes mais famosos do mundo — incluindo a Grande Barreira de Corais, na Austrália; o Triângulo de Corais, no Oceano Pacífico Ocidental e Sudeste Asiático; o Sistema Arrecifal Mesoamericano; e os recifes de corais do Mar Vermelho — encontra-se em estado crítico de ameaça, o nível mais elevado de risco.

“O risco de colapso dos recifes de corais está aumentando, mas isso deve servir como um alerta, e não como motivo para desespero”, afirmou Mishal Gudka, líder científico da avaliação global da IUCN para a Lista Vermelha de Ecossistemas de Recifes de Corais — a primeira do gênero.
“Os recifes de corais demonstraram uma capacidade notável de se recuperar após eventos devastadores de branqueamento”, disse ele. “É possível que ainda restem, no futuro, áreas com recifes de corais resilientes que sobreviveram; por isso, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que eles tenham condições de prosperar.”
ARQUIVO – Um conjunto diversificado de corais é visto após um evento de branqueamento ocorrido em 2024 no recife Pompey, na parte norte da Grande Barreira de Corais, no extremo norte de Queensland, Austrália, em 1º de janeiro de 2025 / Imagem: Instituto Australiano de Ciências Marinhas via AP, Arquivo

Quando um recife entra em colapso, os corais duros desaparecem e são substituídos por algas, detritos e esponjas. Como resultado, o recife já não sustenta um ecossistema diversificado, que poderia incluir desde minúsculos invertebrados até peixes recifais, como as garoupas.

“Os recifes de coral são um dos sinais vitais mais claros da saúde do oceano”, afirmou Grethel Aguilar, diretora-geral da IUCN, em um comunicado.

A avaliação, que abrange 127 ecorregiões tropicais e subtropicais e um total de 188.362 quilômetros quadrados (72.726 milhas quadradas) de recifes de coral em todo o mundo, aponta as mudanças climáticas como “a ameaça mais constante e significativa que impulsiona o declínio dos recifes de coral globalmente”.

Há uma semana, outro estudo, publicado pela IUCN na revista Nature, revelou que quase 44% das espécies de corais formadores de recifes enfrentam um risco elevado de extinção devido às mudanças climáticas. Um ano antes, um levantamento constatou que o branqueamento nocivo dos corais ao redor do mundo atingiu 84% dos recifes oceânicos — o episódio mais intenso já registrado na história.

Nearly half of reef-building corals face elevated relative risk of extinction - Nature
Nature - Nearly half of reef-building corals face elevated relative risk of extinction

O ano de 2024 foi o mais quente da história da Terra, e grande parte desse calor está sendo absorvida pelos oceanos. A temperatura média anual da superfície do mar, em áreas distantes dos polos, atingiu um recorde de 20,87 graus Celsius (69,57 graus Fahrenheit).

Além de combater o aumento das emissões globais, especialistas afirmam que esforços para reduzir a poluição, a sobrepesca e o desenvolvimento costeiro podem ajudar os recifes a sobreviver.

“Sabemos o que é necessário: reduções ambiciosas nas emissões, esforços mais robustos de proteção e restauração, e investimentos contínuos em ecossistemas costeiros resilientes e nas comunidades que dependem deles”, disse Aguilar.

Andrew Baker, diretor do Coral Reef Futures Lab (Laboratório para o Futuro dos Recifes de Coral) da Universidade de Miami, buscou trazer um pouco de esperança após analisar a avaliação. Ele ressaltou que conter o aquecimento global e a poluição não é a única forma de salvar os corais.

“Isso significa encontrar novas maneiras de restaurar os corais, utilizando tecnologias emergentes e abordagens inovadoras”, afirmou ele, “que podem oferecer uma tábua de salvação para recifes em situação crítica e nos dar o tempo, extremamente necessário, para realizar essas transições.”