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'Supergrupos' de baleias mostram recuperação populacional após a era da caça; no entanto, a guerra no Irã representa um risco para elas

Fechamento de Ormuz leva embarcações a contornarem a África, o que aumenta o fluxo e a quantidade de colisões com baleias
'Supergrupos' de baleias mostram recuperação populacional após a era da caça; no entanto, a guerra no Irã representa um risco para elas
ARQUIVO – Uma baleia-jubarte salta fora da água na costa de Port Stephens, ao norte de Sydney, Austrália, em 18 de junho de 2025. (Foto AP/Mark Baker, Arquivo)

*Por Neil Shaw

O fato principal

Um casal sul-africano presenciou uma situação rara ao ver um "supergrupo" de baleias-jubarte — composto por quase 300 desses gigantescos mamíferos marinhos — reunido.

Segundo cientistas, isso é um sinal de como as populações de algumas espécies de baleias se recuperaram nos oceanos do Hemisfério Sul, décadas após entrar em vigor, em 1986, uma proibição internacional à caça de baleias.

Chris e Monique Fallows relataram que já estavam acostumados a ver grupos cada vez maiores de baleias-jubarte na costa oeste da África do Sul, mas não estavam preparados para o que viram numa manhã de dezembro de 2025. Jatos de ar e borrifos de água disparavam no ar, um após o outro, a partir dos espiráculos, e o casal viu seu barco cercado pelo supergrupo.

"Foi extraordinário", disse Chris Fallows, renomado fotógrafo de vida selvagem que documenta animais marinhos há 35 anos. "Rapidamente percebemos que devia haver várias centenas de baleias reunidas em uma área específica."

Chris e Monique contabilizaram exatamente 299 baleias-jubarte no grupo. A contagem é feita fotografando a cauda do animal — conhecida como nadadeira caudal —, explicou Monique Fallows, autora e naturalista.

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A cauda de cada baleia é única, sendo essa uma técnica comum utilizada por cientistas para identificar indivíduos.

Maior grupo já avistado

O fotógrafo de vida selvagem Chris Fallows observa o mar de seu barco perto de Hout Bay, na Cidade do Cabo, África do Sul, em 12 de julho de 2026. (Foto AP/Neil Shaw)

Ao que tudo indica, este foi o maior grupo de baleias-jubarte já avistado, segundo Alex Vogel, coordenador da organização Happywhale na África.

A organização mantém um banco de dados global de baleias, alimentado por fotos e informações enviadas principalmente por "cientistas cidadãos" — pessoas comuns que registram imagens de baleias, as quais são posteriormente verificadas.

A organização realizou a contagem do grupo encontrado pelo casal Fallows.

Recuperação populacional

As populações de baleias-jubarte no Hemisfério Sul apresentaram uma forte recuperação: de menos de 10 mil indivíduos no auge da caça comercial para mais de 100 mil atualmente, segundo estimativas de cientistas e da Comissão Baleeira Internacional, órgão que monitora o número desses animais.

Apenas alguns países ainda praticam a caça comercial de baleias.

As baleias-jubarte são geralmente solitárias ou deslocam-se em pequenos grupos, mas, ocasionalmente, reúnem-se em supergrupos em áreas ricas em alimento. Elas se alimentam de krill ou de peixes pequenos.

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Krill é o nome coletivo dado a pequenos crustáceos semelhantes a camarões que vivem em enxames no oceano. Eles formam a base da cadeia alimentar marinha, servindo de principal alimento para baleias, pinguins, focas e peixes.

Avistamentos de baleias-jubarte também estão aumentando em outras partes do Hemisfério Sul.

Els Vermeulen, cientista-chefe da Unidade de Baleias da Universidade de Pretória, na África do Sul, afirmou que "supergrupos" de jubartes voltaram a ser vistos por volta de 2012, o que provavelmente é resultado de sua recuperação após o período da caça comercial.

"De modo geral, a moratória da caça às baleias pode ser considerada um dos maiores casos de sucesso na conservação do ambiente marinho", disse Vermeulen, que possui doutorado em zoologia.

Vermeulen explicou que as jubartes, ao se alimentarem em supergrupos, emitem sons subaquáticos que atraem outras baleias.

Recuperação desigual entre espécies de baleias

ARQUIVO – Baleias-jubarte emergem juntas em Bahía Solano, Colômbia, no domingo, 27 de agosto de 2023. (Foto AP/Ivan Valencia, Arquivo)

Embora as jubartes tenham apresentado a recuperação mais expressiva após o fim da caça comercial, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) afirma que a recuperação de outras espécies de baleias tem sido desigual e que persistem várias ameaças, como o emaranhamento em equipamentos de pesca comercial, colisões com navios e as mudanças climáticas.

Sete das 14 espécies de grandes baleias são classificadas como ameaçadas ou vulneráveis ​​pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), incluindo as baleias-francas-do-atlântico-norte, que estão em perigo crítico de extinção e cuja população atual é de apenas cerca de 380 indivíduos.

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Guerra no Oriente Médio aumenta fluxo de embarcações

Vermeulen também apontou uma nova ameaça para as baleias na região da África do Sul: o conflito no Oriente Médio.

Ela relatou que uma avaliação preliminar recente, da qual participou como coautora, mostrou que o tráfego de navios ao redor da extremidade sul da África quadruplicou desde dezembro de 2023 — após o início da guerra entre Israel e Hamas e o começo dos ataques de rebeldes houthis do Iêmen a navios no Mar Vermelho.

Essa situação é agravada pelas tensões envolvendo o Irã e pela crise de segurança no Estreito de Ormuz, o que leva mais navios a contornarem a África.

Como a maioria das baleias mortas por colisões com navios afunda no oceano, não existem estatísticas detalhadas. No entanto, Gregg Oelofse, gerente de gestão costeira e ambiental da Cidade do Cabo, afirmou que o aumento tanto do número de baleias quanto do tráfego de navios eleva claramente o risco.

Ele mencionou que algumas carcaças de baleias que chegam à costa apresentam sinais de terem sido mortas por embarcações.

"Frequentemente observamos marcas de impacto de hélices no corpo da baleia", disse Oelofse. "É como se fossem grandes cortes no corpo do animal."

Vermeulen afirmou que ela e outros especialistas estão defendendo a implementação de limites oficiais de velocidade para navios próximos à costa sul-africana, a fim de dar tempo às tripulações para avistar eventuais baleias em sua rota.


*O repórter da Associated Press Gerald Imray colaborou com esta reportagem.

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